O câncer de estômago é, na maioria das vezes, um adenocarcinoma que se forma devagar, ao longo de anos, a partir de uma mucosa inflamada — com frequência pelo H. pylori. No início quase não dá sintomas. Por isso, conhecer os fatores de risco, tratar o H. pylori e fazer endoscopia quando há indicação são as medidas que permitem prevenir o câncer de estômago ou encontrá-lo numa fase em que o tratamento tem mais chance de sucesso.
O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, está entre os tumores mais frequentes nos homens brasileiros e ainda é descoberto, em boa parte dos casos, quando a doença já avançou. Não porque seja invisível, mas porque os primeiros sinais se parecem com os de uma gastrite comum e costumam ser tratados por conta própria durante meses.
Este artigo explica o que é a doença, quem tem mais risco, como a mucosa passa da inflamação ao tumor, quais sinais pedem investigação, como são o diagnóstico e o tratamento e o que se pode fazer para prevenir — com base na estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e nas diretrizes europeias atuais.
O que é o câncer de estômago
O câncer de estômago é o crescimento descontrolado de células da parede do estômago, que formam um tumor capaz de invadir as camadas mais profundas do órgão e, com o tempo, alcançar gânglios e outros órgãos. Em cerca de 90% a 95% dos casos, trata-se de um adenocarcinoma: um tumor que nasce das células glandulares da mucosa, a camada interna que produz o suco gástrico.
O adenocarcinoma gástrico costuma ser dividido em dois grandes tipos. O tipo intestinal é o mais ligado à inflamação crônica: aparece depois de anos de agressão à mucosa, numa sequência de alterações que a endoscopia consegue acompanhar. O tipo difuso se espalha pela parede sem formar uma lesão bem delimitada, é proporcionalmente mais comum em jovens e, às vezes, tem origem hereditária.
Há ainda tumores menos frequentes no estômago, com comportamento e tratamento próprios — o linfoma MALT, associado ao H. pylori, e o GIST, que nasce da camada muscular da parede.
Os números no Brasil: a Estimativa 2026 do INCA prevê 22.530 casos novos de câncer de estômago por ano no triênio 2026–2028 — 13.830 em homens e 8.700 em mulheres. Entre os homens, é o quarto câncer mais incidente, sem contar o de pele não melanoma, atrás de próstata, cólon e reto e pulmão; nas regiões Norte e Nordeste, a incidência masculina é ainda mais alta. Pelo Atlas de Mortalidade do INCA, foram cerca de 14,9 mil mortes por câncer de estômago no país em 2024.
A proximidade entre casos e mortes resume o desafio: muitos diagnósticos ainda acontecem quando o tumor já ultrapassou as camadas superficiais.
Fatores de risco do câncer de estômago
Os fatores de risco do câncer de estômago são, em grande parte, conhecidos — e vários podem ser modificados. Nenhum deles, sozinho, determina a doença: o risco cresce quando os fatores se somam e duram anos.
| Fator de risco | Por que aumenta o risco | O que fazer |
|---|---|---|
| Infecção por H. pylori | Carcinógeno do grupo 1 da OMS; mantém o estômago inflamado por décadas e é a principal causa do câncer gástrico. | Pesquisar, tratar e confirmar a erradicação com teste de controle. |
| Tabagismo | Substâncias do cigarro chegam à mucosa pelo sangue e pela saliva; o risco cresce com o álcool. | Parar de fumar. |
| Alimentos muito salgados, conservados em sal e defumados | O excesso de sal desgasta o muco protetor e favorece a ação do H. pylori; curados e defumados trazem compostos nitrosos. | Reduzir sal, salgados e defumados; priorizar alimentos frescos. |
| Histórico familiar | Pai, mãe, irmão ou filho com câncer de estômago aumenta o risco, pela genética e pelo H. pylori que circula na mesma família. | Avaliação com o gastroenterologista, pesquisa de H. pylori e endoscopia conforme o caso. |
| Gastrite atrófica e metaplasia intestinal | São lesões pré-malignas: a mucosa já perdeu glândulas ou trocou seu revestimento. Inclui a gastrite autoimune, ligada à anemia perniciosa. | Vigilância por endoscopia, com intervalo definido pela extensão das lesões. |
| Cirurgia gástrica prévia | Quem retirou parte do estômago há mais de 15 anos tem risco maior de tumor no estômago remanescente, pelo refluxo de bile. | Endoscopia de controle quando indicada pelo médico. |
| Síndromes hereditárias | Câncer gástrico difuso hereditário (gene CDH1), síndrome de Lynch, polipose adenomatosa familiar e síndrome de Peutz-Jeghers, entre outras. | Aconselhamento genético; em algumas, vigilância intensiva ou cirurgia preventiva. |
| Excesso de peso e álcool em grande quantidade | Associados sobretudo aos tumores da cárdia, a transição entre o esôfago e o estômago. | Manter peso adequado e limitar a bebida alcoólica. |
Idade acima de 50 anos e sexo masculino também pesam, mas não são modificáveis. Sobre a bactéria, vale ler H. pylori: o que é, como se pega e como tratar; sobre o cardápio de quem já tem o estômago inflamado, o que é proibido comer quando se tem gastrite.
Da gastrite ao câncer gástrico: a cascata de Correa
Da gastrite ao câncer gástrico do tipo intestinal existe um caminho longo, descrito pelo patologista colombiano Pelayo Correa na década de 1970 e conhecido como cascata de Correa. Entender essa sequência ajuda a ver por que o câncer de estômago, em boa parte dos casos, pode ser interrompido antes de existir.
- Gastrite crônica — inflamação persistente da mucosa, quase sempre causada pelo H. pylori. Nesta fase, tratar a bactéria permite que o estômago se recupere;
- Gastrite atrófica — anos de inflamação destroem parte das glândulas; a mucosa fica mais fina e produz menos ácido;
- Metaplasia intestinal — no lugar do revestimento próprio do estômago aparecem células semelhantes às do intestino, uma adaptação à agressão contínua;
- Displasia — as células passam a ter alterações de forma e de organização. É a lesão pré-maligna propriamente dita, classificada em baixo ou alto grau;
- Câncer — as células alteradas rompem os limites da mucosa e invadem a parede.
Essa escada costuma levar décadas, e a grande maioria das pessoas com gastrite nunca passa dos primeiros degraus. Cada degrau aumenta o risco: erradicar o H. pylori na fase de gastrite crônica ou de atrofia inicial reduz de forma importante a chance de progressão; quando a metaplasia já é extensa, o tratamento continua indicado, mas o risco não zera — e entra a vigilância por endoscopia.
Gastrite vira câncer? Na imensa maioria das vezes, não. O que pede atenção é a inflamação crônica que segue anos sem diagnóstico — sobretudo com H. pylori não tratado, histórico familiar ou atrofia já documentada em biópsia.
Sintomas de câncer de estômago e sinais de alerta
Os sintomas de câncer de estômago são, em geral, inespecíficos e tardios. Na fase inicial, a doença pode não dar sintoma nenhum ou provocar apenas queimação, desconforto na parte alta da barriga e empachamento — queixas idênticas às de uma gastrite ou de uma dispepsia funcional, que são muito mais comuns.
Conforme o tumor cresce, aparecem os chamados sinais de alerta, que pedem investigação sem demora:
- Perda de peso sem explicação, muitas vezes acompanhada de falta de apetite;
- Anemia — cansaço e palidez por sangramento lento do tumor;
- Dificuldade para engolir ou sensação de comida parando no meio do caminho, típica dos tumores próximos à cárdia;
- Vômitos repetidos, às vezes com alimento ingerido horas antes;
- Fezes pretas, pegajosas e com cheiro forte, ou vômito com sangue ou com aspecto de borra de café;
- Saciedade precoce — sentir-se cheio com poucas garfadas;
- Massa palpável na parte alta do abdome ou caroços perto do umbigo ou acima da clavícula esquerda, em fases avançadas.
Nenhum desses sinais confirma câncer: úlcera, gastrite erosiva e outras condições benignas também causam anemia e sangue nas fezes. Mas todos eles justificam endoscopia, e não apenas mais um ciclo de remédio.
Atenção ao protetor gástrico por conta própria: remédios que reduzem o ácido aliviam a queimação e podem até cicatrizar parcialmente uma lesão maligna por algum tempo, adiando o diagnóstico. Sintomas digestivos novos depois dos 50 anos, ou que voltam sempre que o remédio é suspenso, merecem avaliação médica e, em geral, endoscopia.
Diagnóstico do câncer de estômago: endoscopia e biópsia
O diagnóstico do câncer de estômago é feito pela endoscopia digestiva alta com biópsia. A endoscopia permite ver a mucosa em detalhe, localizar lesões pequenas e retirar fragmentos para a análise do patologista, que é quem confirma o tipo de tumor. Exames de sangue, marcadores tumorais e ultrassom não fazem esse diagnóstico.
A qualidade do exame faz diferença, porque o câncer precoce costuma ser uma área discretamente elevada, plana ou deprimida. As diretrizes europeias recomendam tempo adequado de exame, estômago limpo, cromoscopia virtual — luz que realça o desenho da mucosa — e biópsias padronizadas do antro e do corpo, em frascos separados. Na endoscopia digestiva em Maringá, o exame é feito sob sedação e com laudo do Dr. Eduardo Pereira; o preparo e o passo a passo do exame estão em endoscopia: tudo o que você precisa saber.
Quando o câncer é confirmado, vem o estadiamento, que mede a extensão da doença: tomografia de tórax e abdome e, em casos selecionados, ecoendoscopia, que avalia a profundidade do tumor na parede e os gânglios próximos.
A endoscopia também serve para vigiar as lesões pré-malignas. Para isso, os patologistas usam dois sistemas de classificação: o OLGA, para a atrofia, e o OLGIM, para a metaplasia intestinal. Ambos dão uma nota de 0 a IV que combina quanto da mucosa está alterado e em quais regiões do estômago — quanto mais alta a nota, maior o risco.
| Achado nas biópsias | O que significa | Conduta geral |
|---|---|---|
| Atrofia ou metaplasia leve, restrita ao antro (OLGA/OLGIM 0 a II) | Risco baixo de evolução. | Tratar o H. pylori, se presente; em geral, sem endoscopias de vigilância, salvo outros fatores de risco. |
| Atrofia ou metaplasia extensa, no antro e no corpo (OLGA/OLGIM III ou IV) | Risco aumentado de câncer de estômago. | Endoscopia de alta qualidade a cada 3 anos, segundo a diretriz europeia MAPS III; intervalo ajustado ao histórico familiar. |
| Displasia ou câncer precoce | Lesão pré-maligna avançada ou tumor superficial. | Avaliação para retirada endoscópica da lesão e acompanhamento depois. |
Tratamento do câncer de estômago
O tratamento do câncer de estômago depende do estágio em que a doença é encontrada, do tipo de tumor e da condição clínica de cada pessoa. A decisão é tomada por uma equipe multidisciplinar — gastroenterologista e endoscopista, cirurgião do aparelho digestivo, oncologista clínico, radiologista, patologista e nutricionista —, como recomenda a diretriz da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO).
- Câncer precoce: quando o tumor está restrito às camadas superficiais e tem características favoráveis, pode ser retirado por tratamento endoscópico, em geral pela dissecção endoscópica da submucosa — a lesão sai inteira, pela boca, e o estômago é preservado. A análise da peça retirada diz se o tratamento foi suficiente ou se é preciso complementar com cirurgia;
- Doença localizada mais profunda: o tratamento principal é a cirurgia — retirada de parte ou de todo o estômago, com os gânglios da região —, em geral com quimioterapia antes e depois da operação para reduzir o tumor e a chance de retorno;
- Doença avançada: o tratamento passa a ser sistêmico — quimioterapia, que pode ser combinada a terapias-alvo e imunoterapia de acordo com o perfil molecular do tumor —, com o objetivo de controlar a doença, aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida.
Câncer de estômago tem cura? Depende do estágio. Quando o câncer de estômago é descoberto na fase precoce, as chances de cura são altas, muitas vezes apenas com o tratamento endoscópico. Nas fases avançadas, o objetivo passa a ser controlar a doença pelo maior tempo possível com qualidade de vida. Cada caso precisa ser avaliado individualmente — e é exatamente por isso que o diagnóstico precoce pesa tanto no resultado.
Depois do tratamento endoscópico, o acompanhamento continua com endoscopias periódicas e erradicação do H. pylori, porque a mucosa que deu origem a um tumor pode dar origem a outro.
Como prevenir o câncer de estômago
Prevenir o câncer de estômago é possível em boa parte dos casos, porque os principais fatores de risco são conhecidos e muitos deles podem ser corrigidos. Quatro medidas têm respaldo consistente nas diretrizes:
- Tratar o H. pylori. A erradicação é a medida isolada de maior impacto na prevenção do câncer gástrico, sobretudo antes de a atrofia e a metaplasia se instalarem; o teste de controle confirma a cura;
- Parar de fumar. O tabagismo é um fator de risco independente, e o benefício de parar aparece em qualquer idade;
- Reduzir o sal. Menos sal de adição, menos embutidos, conservas, carnes salgadas e defumados; mais frutas, verduras e alimentos frescos.;
- Fazer endoscopia quando indicada. Sinais de alerta, sintomas novos depois dos 50 anos, histórico familiar, lesões pré-malignas em vigilância e síndromes hereditárias são situações em que a endoscopia não deve ser adiada.
E o rastreamento para todos? No Brasil, não existe programa de endoscopia de rastreamento para toda a população, como no Japão e na Coreia do Sul, países de incidência muito alta. A indicação é individual, baseada no risco de cada pessoa — e definir esse risco é uma das funções da consulta com o gastroenterologista.
O exame de estômago em Maringá realizado pelo Dr. Eduardo Pereira reúne, num mesmo procedimento, a pesquisa de H. pylori, as biópsias para estadiar a gastrite e a busca ativa por lesões precoces.
Quando procurar o gastroenterologista por causa do câncer de estômago
Procurar o gastroenterologista em Maringá por causa do câncer de estômago é indicado em qualquer destas situações:
- Perda de peso sem explicação, anemia, dificuldade para engolir, vômitos repetidos ou fezes pretas;
- Queimação, dor ou empachamento que começaram depois dos 50 anos ou que não melhoram com o tratamento;
- Pai, mãe, irmão ou filho com câncer de estômago;
- H. pylori positivo, tratado ou não, sem teste de controle;
- Biópsia anterior com gastrite atrófica, metaplasia intestinal ou displasia;
- Cirurgia de estômago feita há muitos anos;
- Diagnóstico de gastrite autoimune ou anemia perniciosa.
Na consulta, o Dr. Eduardo Pereira avalia o risco individual, define se a endoscopia é necessária e com que urgência, trata o H. pylori e programa a vigilância das lesões pré-malignas — com atendimento particular, Unimed e convênios.
Perguntas frequentes sobre câncer de estômago
Câncer de estômago tem cura?
Câncer de estômago tem cura em muitos casos, principalmente quando é descoberto na fase precoce, restrito às camadas superficiais — situação em que o tratamento pode ser até endoscópico. Nas fases avançadas, o objetivo passa a ser o controle da doença.
Quais são os primeiros sintomas de câncer de estômago?
Os primeiros sintomas de câncer de estômago costumam ser discretos e parecidos com os da gastrite — queimação, empachamento, perda de apetite —, e muitas vezes não há sintoma algum. Perda de peso, anemia, vômitos, fezes pretas e dificuldade para engolir pedem endoscopia.
Câncer gástrico é hereditário?
O câncer gástrico é hereditário em uma minoria dos casos, ligada a síndromes como o câncer gástrico difuso hereditário e a síndrome de Lynch. Mesmo sem síndrome genética, ter parente de primeiro grau com a doença aumenta o risco e justifica avaliação com o gastroenterologista e pesquisa de H. pylori.
Gastrite pode virar câncer de estômago?
A gastrite pode virar câncer de estômago em uma pequena parte das pessoas, depois de muitos anos de inflamação sem tratamento, passando por atrofia, metaplasia intestinal e displasia. Tratar o H. pylori e acompanhar as lesões pré-malignas com endoscopia interrompe ou vigia essa evolução.
A endoscopia detecta câncer de estômago no início?
A endoscopia detecta câncer de estômago no início quando é feita com boa técnica: estômago limpo, tempo adequado, cromoscopia virtual e biópsias das áreas suspeitas.
Qual a idade mais comum do câncer de estômago?
A idade mais comum do câncer de estômago é acima dos 50 anos, e a doença é mais frequente em homens. Tumores em pessoas mais jovens existem e merecem atenção, sobretudo quando há histórico familiar.
Resumo · Câncer de estômago: sintomas, causas e prevenção
- O que é: na maioria dos casos um adenocarcinoma da mucosa; linfoma MALT e GIST são tumores menos frequentes.
- No Brasil: o INCA estima 22.530 casos novos por ano em 2026–2028; é o 4º câncer mais incidente em homens.
- Fatores de risco: H. pylori, tabagismo, excesso de sal e defumados, histórico familiar, atrofia e metaplasia, cirurgia gástrica prévia e síndromes hereditárias.
- Sintomas: inespecíficos no início; perda de peso, anemia, dificuldade para engolir, vômitos, fezes pretas e saciedade precoce são sinais de alerta.
- Diagnóstico e tratamento: endoscopia com biópsia; tratamento endoscópico no câncer precoce, cirurgia e quimioterapia definidos por equipe multidisciplinar.
- Prevenção: tratar o H. pylori, parar de fumar, reduzir o sal e fazer endoscopia quando houver indicação.
O câncer de estômago não surge de um dia para o outro: na maior parte das vezes, ele é o fim de um caminho longo, que começa numa inflamação tratável. Conhecer o próprio risco, não normalizar sinais de alerta e investigar no tempo certo são as atitudes que permitem prevenir o câncer de estômago ou encontrá-lo enquanto ainda é pequeno.
Faz parte deExame de Estômago em Maringá →Endoscopia com biópsia, pesquisa de H. pylori e vigilância de lesões pré-malignas, com sedação monitorada e laudo do Dr. Eduardo Pereira.Conteúdo informativo, escrito pelo Dr. Eduardo Pereira. Não substitui a consulta médica e não deve ser usado para iniciar, trocar ou interromper medicamentos.
Referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
- Dinis-Ribeiro M et al. Management of epithelial precancerous conditions and early neoplasia of the stomach (MAPS III): ESGE, EHMSG and ESP Guideline update 2025. Endoscopy, 2025;57(5):504–554.
- Lordick F et al. Gastric cancer: ESMO Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Annals of Oncology, 2022;33(10):1005–1020.