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Estômago · Blog do Dr. Eduardo Pereira

Câncer de estômago: sintomas, causas e prevenção

Publicado em 5 de novembro de 2026 · Leitura de 13 minutos · Por Dr. Eduardo Pereira · Gastroenterologista e Endoscopista · CRM-PR 44.865

O câncer de estômago é, na maioria das vezes, um adenocarcinoma que se forma devagar, ao longo de anos, a partir de uma mucosa inflamada — com frequência pelo H. pylori. No início quase não dá sintomas. Por isso, conhecer os fatores de risco, tratar o H. pylori e fazer endoscopia quando há indicação são as medidas que permitem prevenir o câncer de estômago ou encontrá-lo numa fase em que o tratamento tem mais chance de sucesso.

O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, está entre os tumores mais frequentes nos homens brasileiros e ainda é descoberto, em boa parte dos casos, quando a doença já avançou. Não porque seja invisível, mas porque os primeiros sinais se parecem com os de uma gastrite comum e costumam ser tratados por conta própria durante meses.

Este artigo explica o que é a doença, quem tem mais risco, como a mucosa passa da inflamação ao tumor, quais sinais pedem investigação, como são o diagnóstico e o tratamento e o que se pode fazer para prevenir — com base na estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e nas diretrizes europeias atuais.

O que é o câncer de estômago

O câncer de estômago é o crescimento descontrolado de células da parede do estômago, que formam um tumor capaz de invadir as camadas mais profundas do órgão e, com o tempo, alcançar gânglios e outros órgãos. Em cerca de 90% a 95% dos casos, trata-se de um adenocarcinoma: um tumor que nasce das células glandulares da mucosa, a camada interna que produz o suco gástrico.

O adenocarcinoma gástrico costuma ser dividido em dois grandes tipos. O tipo intestinal é o mais ligado à inflamação crônica: aparece depois de anos de agressão à mucosa, numa sequência de alterações que a endoscopia consegue acompanhar. O tipo difuso se espalha pela parede sem formar uma lesão bem delimitada, é proporcionalmente mais comum em jovens e, às vezes, tem origem hereditária.

Há ainda tumores menos frequentes no estômago, com comportamento e tratamento próprios — o linfoma MALT, associado ao H. pylori, e o GIST, que nasce da camada muscular da parede.

Os números no Brasil: a Estimativa 2026 do INCA prevê 22.530 casos novos de câncer de estômago por ano no triênio 2026–2028 — 13.830 em homens e 8.700 em mulheres. Entre os homens, é o quarto câncer mais incidente, sem contar o de pele não melanoma, atrás de próstata, cólon e reto e pulmão; nas regiões Norte e Nordeste, a incidência masculina é ainda mais alta. Pelo Atlas de Mortalidade do INCA, foram cerca de 14,9 mil mortes por câncer de estômago no país em 2024.

A proximidade entre casos e mortes resume o desafio: muitos diagnósticos ainda acontecem quando o tumor já ultrapassou as camadas superficiais.

Fatores de risco do câncer de estômago

Os fatores de risco do câncer de estômago são, em grande parte, conhecidos — e vários podem ser modificados. Nenhum deles, sozinho, determina a doença: o risco cresce quando os fatores se somam e duram anos.

Fator de riscoPor que aumenta o riscoO que fazer
Infecção por H. pyloriCarcinógeno do grupo 1 da OMS; mantém o estômago inflamado por décadas e é a principal causa do câncer gástrico.Pesquisar, tratar e confirmar a erradicação com teste de controle.
TabagismoSubstâncias do cigarro chegam à mucosa pelo sangue e pela saliva; o risco cresce com o álcool.Parar de fumar.
Alimentos muito salgados, conservados em sal e defumadosO excesso de sal desgasta o muco protetor e favorece a ação do H. pylori; curados e defumados trazem compostos nitrosos.Reduzir sal, salgados e defumados; priorizar alimentos frescos.
Histórico familiarPai, mãe, irmão ou filho com câncer de estômago aumenta o risco, pela genética e pelo H. pylori que circula na mesma família.Avaliação com o gastroenterologista, pesquisa de H. pylori e endoscopia conforme o caso.
Gastrite atrófica e metaplasia intestinalSão lesões pré-malignas: a mucosa já perdeu glândulas ou trocou seu revestimento. Inclui a gastrite autoimune, ligada à anemia perniciosa.Vigilância por endoscopia, com intervalo definido pela extensão das lesões.
Cirurgia gástrica préviaQuem retirou parte do estômago há mais de 15 anos tem risco maior de tumor no estômago remanescente, pelo refluxo de bile.Endoscopia de controle quando indicada pelo médico.
Síndromes hereditáriasCâncer gástrico difuso hereditário (gene CDH1), síndrome de Lynch, polipose adenomatosa familiar e síndrome de Peutz-Jeghers, entre outras.Aconselhamento genético; em algumas, vigilância intensiva ou cirurgia preventiva.
Excesso de peso e álcool em grande quantidadeAssociados sobretudo aos tumores da cárdia, a transição entre o esôfago e o estômago.Manter peso adequado e limitar a bebida alcoólica.

Idade acima de 50 anos e sexo masculino também pesam, mas não são modificáveis. Sobre a bactéria, vale ler H. pylori: o que é, como se pega e como tratar; sobre o cardápio de quem já tem o estômago inflamado, o que é proibido comer quando se tem gastrite.

Da gastrite ao câncer gástrico: a cascata de Correa

Da gastrite ao câncer gástrico do tipo intestinal existe um caminho longo, descrito pelo patologista colombiano Pelayo Correa na década de 1970 e conhecido como cascata de Correa. Entender essa sequência ajuda a ver por que o câncer de estômago, em boa parte dos casos, pode ser interrompido antes de existir.

Essa escada costuma levar décadas, e a grande maioria das pessoas com gastrite nunca passa dos primeiros degraus. Cada degrau aumenta o risco: erradicar o H. pylori na fase de gastrite crônica ou de atrofia inicial reduz de forma importante a chance de progressão; quando a metaplasia já é extensa, o tratamento continua indicado, mas o risco não zera — e entra a vigilância por endoscopia.

Gastrite vira câncer? Na imensa maioria das vezes, não. O que pede atenção é a inflamação crônica que segue anos sem diagnóstico — sobretudo com H. pylori não tratado, histórico familiar ou atrofia já documentada em biópsia.

Sintomas de câncer de estômago e sinais de alerta

Os sintomas de câncer de estômago são, em geral, inespecíficos e tardios. Na fase inicial, a doença pode não dar sintoma nenhum ou provocar apenas queimação, desconforto na parte alta da barriga e empachamento — queixas idênticas às de uma gastrite ou de uma dispepsia funcional, que são muito mais comuns.

Conforme o tumor cresce, aparecem os chamados sinais de alerta, que pedem investigação sem demora:

Nenhum desses sinais confirma câncer: úlcera, gastrite erosiva e outras condições benignas também causam anemia e sangue nas fezes. Mas todos eles justificam endoscopia, e não apenas mais um ciclo de remédio.

Atenção ao protetor gástrico por conta própria: remédios que reduzem o ácido aliviam a queimação e podem até cicatrizar parcialmente uma lesão maligna por algum tempo, adiando o diagnóstico. Sintomas digestivos novos depois dos 50 anos, ou que voltam sempre que o remédio é suspenso, merecem avaliação médica e, em geral, endoscopia.

Diagnóstico do câncer de estômago: endoscopia e biópsia

O diagnóstico do câncer de estômago é feito pela endoscopia digestiva alta com biópsia. A endoscopia permite ver a mucosa em detalhe, localizar lesões pequenas e retirar fragmentos para a análise do patologista, que é quem confirma o tipo de tumor. Exames de sangue, marcadores tumorais e ultrassom não fazem esse diagnóstico.

A qualidade do exame faz diferença, porque o câncer precoce costuma ser uma área discretamente elevada, plana ou deprimida. As diretrizes europeias recomendam tempo adequado de exame, estômago limpo, cromoscopia virtual — luz que realça o desenho da mucosa — e biópsias padronizadas do antro e do corpo, em frascos separados. Na endoscopia digestiva em Maringá, o exame é feito sob sedação e com laudo do Dr. Eduardo Pereira; o preparo e o passo a passo do exame estão em endoscopia: tudo o que você precisa saber.

Quando o câncer é confirmado, vem o estadiamento, que mede a extensão da doença: tomografia de tórax e abdome e, em casos selecionados, ecoendoscopia, que avalia a profundidade do tumor na parede e os gânglios próximos.

A endoscopia também serve para vigiar as lesões pré-malignas. Para isso, os patologistas usam dois sistemas de classificação: o OLGA, para a atrofia, e o OLGIM, para a metaplasia intestinal. Ambos dão uma nota de 0 a IV que combina quanto da mucosa está alterado e em quais regiões do estômago — quanto mais alta a nota, maior o risco.

Achado nas biópsiasO que significaConduta geral
Atrofia ou metaplasia leve, restrita ao antro (OLGA/OLGIM 0 a II)Risco baixo de evolução.Tratar o H. pylori, se presente; em geral, sem endoscopias de vigilância, salvo outros fatores de risco.
Atrofia ou metaplasia extensa, no antro e no corpo (OLGA/OLGIM III ou IV)Risco aumentado de câncer de estômago.Endoscopia de alta qualidade a cada 3 anos, segundo a diretriz europeia MAPS III; intervalo ajustado ao histórico familiar.
Displasia ou câncer precoceLesão pré-maligna avançada ou tumor superficial.Avaliação para retirada endoscópica da lesão e acompanhamento depois.

Tratamento do câncer de estômago

O tratamento do câncer de estômago depende do estágio em que a doença é encontrada, do tipo de tumor e da condição clínica de cada pessoa. A decisão é tomada por uma equipe multidisciplinar — gastroenterologista e endoscopista, cirurgião do aparelho digestivo, oncologista clínico, radiologista, patologista e nutricionista —, como recomenda a diretriz da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO).

Câncer de estômago tem cura? Depende do estágio. Quando o câncer de estômago é descoberto na fase precoce, as chances de cura são altas, muitas vezes apenas com o tratamento endoscópico. Nas fases avançadas, o objetivo passa a ser controlar a doença pelo maior tempo possível com qualidade de vida. Cada caso precisa ser avaliado individualmente — e é exatamente por isso que o diagnóstico precoce pesa tanto no resultado.

Depois do tratamento endoscópico, o acompanhamento continua com endoscopias periódicas e erradicação do H. pylori, porque a mucosa que deu origem a um tumor pode dar origem a outro.

Como prevenir o câncer de estômago

Prevenir o câncer de estômago é possível em boa parte dos casos, porque os principais fatores de risco são conhecidos e muitos deles podem ser corrigidos. Quatro medidas têm respaldo consistente nas diretrizes:

E o rastreamento para todos? No Brasil, não existe programa de endoscopia de rastreamento para toda a população, como no Japão e na Coreia do Sul, países de incidência muito alta. A indicação é individual, baseada no risco de cada pessoa — e definir esse risco é uma das funções da consulta com o gastroenterologista.

O exame de estômago em Maringá realizado pelo Dr. Eduardo Pereira reúne, num mesmo procedimento, a pesquisa de H. pylori, as biópsias para estadiar a gastrite e a busca ativa por lesões precoces.

Quando procurar o gastroenterologista por causa do câncer de estômago

Procurar o gastroenterologista em Maringá por causa do câncer de estômago é indicado em qualquer destas situações:

Na consulta, o Dr. Eduardo Pereira avalia o risco individual, define se a endoscopia é necessária e com que urgência, trata o H. pylori e programa a vigilância das lesões pré-malignas — com atendimento particular, Unimed e convênios.

Perguntas frequentes sobre câncer de estômago

Câncer de estômago tem cura?

Câncer de estômago tem cura em muitos casos, principalmente quando é descoberto na fase precoce, restrito às camadas superficiais — situação em que o tratamento pode ser até endoscópico. Nas fases avançadas, o objetivo passa a ser o controle da doença.

Quais são os primeiros sintomas de câncer de estômago?

Os primeiros sintomas de câncer de estômago costumam ser discretos e parecidos com os da gastrite — queimação, empachamento, perda de apetite —, e muitas vezes não há sintoma algum. Perda de peso, anemia, vômitos, fezes pretas e dificuldade para engolir pedem endoscopia.

Câncer gástrico é hereditário?

O câncer gástrico é hereditário em uma minoria dos casos, ligada a síndromes como o câncer gástrico difuso hereditário e a síndrome de Lynch. Mesmo sem síndrome genética, ter parente de primeiro grau com a doença aumenta o risco e justifica avaliação com o gastroenterologista e pesquisa de H. pylori.

Gastrite pode virar câncer de estômago?

A gastrite pode virar câncer de estômago em uma pequena parte das pessoas, depois de muitos anos de inflamação sem tratamento, passando por atrofia, metaplasia intestinal e displasia. Tratar o H. pylori e acompanhar as lesões pré-malignas com endoscopia interrompe ou vigia essa evolução.

A endoscopia detecta câncer de estômago no início?

A endoscopia detecta câncer de estômago no início quando é feita com boa técnica: estômago limpo, tempo adequado, cromoscopia virtual e biópsias das áreas suspeitas.

Qual a idade mais comum do câncer de estômago?

A idade mais comum do câncer de estômago é acima dos 50 anos, e a doença é mais frequente em homens. Tumores em pessoas mais jovens existem e merecem atenção, sobretudo quando há histórico familiar.

Resumo · Câncer de estômago: sintomas, causas e prevenção

  • O que é: na maioria dos casos um adenocarcinoma da mucosa; linfoma MALT e GIST são tumores menos frequentes.
  • No Brasil: o INCA estima 22.530 casos novos por ano em 2026–2028; é o 4º câncer mais incidente em homens.
  • Fatores de risco: H. pylori, tabagismo, excesso de sal e defumados, histórico familiar, atrofia e metaplasia, cirurgia gástrica prévia e síndromes hereditárias.
  • Sintomas: inespecíficos no início; perda de peso, anemia, dificuldade para engolir, vômitos, fezes pretas e saciedade precoce são sinais de alerta.
  • Diagnóstico e tratamento: endoscopia com biópsia; tratamento endoscópico no câncer precoce, cirurgia e quimioterapia definidos por equipe multidisciplinar.
  • Prevenção: tratar o H. pylori, parar de fumar, reduzir o sal e fazer endoscopia quando houver indicação.

O câncer de estômago não surge de um dia para o outro: na maior parte das vezes, ele é o fim de um caminho longo, que começa numa inflamação tratável. Conhecer o próprio risco, não normalizar sinais de alerta e investigar no tempo certo são as atitudes que permitem prevenir o câncer de estômago ou encontrá-lo enquanto ainda é pequeno.

Faz parte deExame de Estômago em Maringá →Endoscopia com biópsia, pesquisa de H. pylori e vigilância de lesões pré-malignas, com sedação monitorada e laudo do Dr. Eduardo Pereira.
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Dr. Eduardo Pereira, gastroenterologista e endoscopista em Maringá
Dr. Eduardo Pereira Gastroenterologista e endoscopista em Maringá · CRM-PR 44.865 · RQE 27361 · 27362 · 27363. Residência pela USP de Ribeirão Preto, fellowship em Endoscopia Digestiva pelo Hospital Sírio-Libanês e mais de 10 mil exames realizados. Conhecer o médico →

Conteúdo informativo, escrito pelo Dr. Eduardo Pereira. Não substitui a consulta médica e não deve ser usado para iniciar, trocar ou interromper medicamentos.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
  2. Dinis-Ribeiro M et al. Management of epithelial precancerous conditions and early neoplasia of the stomach (MAPS III): ESGE, EHMSG and ESP Guideline update 2025. Endoscopy, 2025;57(5):504–554.
  3. Lordick F et al. Gastric cancer: ESMO Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Annals of Oncology, 2022;33(10):1005–1020.

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