Os sintomas da esofagite mais comuns são azia, dor ao engolir, dificuldade para engolir e dor atrás do osso do peito. Esofagite é a inflamação do esôfago, e a causa mais frequente é o refluxo — mas remédios, infecções e alergia também podem provocá-la. O diagnóstico é feito pela endoscopia, e o tratamento depende da causa.
Os sintomas da esofagite costumam começar de forma discreta — uma azia que aparece depois do jantar, um incômodo para engolir o comprimido, uma sensação de que a comida “desce devagar”. Como são queixas que muita gente considera normais, a esofagite é com frequência descoberta só quando a endoscopia é feita, às vezes anos depois do primeiro sintoma.
Este artigo explica o que é a esofagite, quais são os tipos e as causas, como reconhecer os sintomas, o que significa a classificação de Los Angeles que aparece no laudo, como é feito o diagnóstico, como o tratamento muda conforme a causa e quais complicações e sinais de alerta merecem atenção — na forma como o Dr. Eduardo Pereira orienta os pacientes no consultório.
O que é esofagite
Esofagite é a inflamação da parede interna do esôfago, o tubo muscular que leva o alimento da boca até o estômago. Diferente do estômago, que tem uma camada própria de proteção contra o ácido, o revestimento do esôfago é sensível: quando entra em contato repetido com ácido, com um comprimido que se dissolve parado ou com uma reação alérgica, ele inflama, pode perder a camada superficial e formar pequenas feridas, chamadas erosões.
Na maior parte das pessoas, a esofagite é consequência da doença do refluxo gastroesofágico. Quando a inflamação chega a formar erosões visíveis na endoscopia, o nome técnico é esofagite erosiva. Mas esofagite não é sinônimo de refluxo: há formas causadas por medicamentos, por infecções, por alergia e por agressões químicas ou físicas, e cada uma tem um tratamento diferente. Por isso o primeiro passo é sempre descobrir de onde vem a inflamação.
Esofagite e gastrite não são a mesma coisa: a gastrite é a inflamação do estômago; a esofagite, a do esôfago. As duas podem coexistir e dar sintomas parecidos, mas têm causas e condutas próprias — e só a endoscopia mostra onde está o problema.
Tipos de esofagite e as causas de cada um
Os tipos de esofagite são definidos pela causa da inflamação, e conhecer as causas é o que orienta o tratamento. A tabela resume os principais:
| Tipo de esofagite | O que causa | Quem costuma ter |
|---|---|---|
| De refluxo (erosiva ou não) | O conteúdo ácido do estômago sobe repetidas vezes para o esôfago. | Pessoas com refluxo, hérnia de hiato, sobrepeso, tabagismo ou gestação. É o tipo mais comum. |
| Medicamentosa | Um comprimido ou cápsula fica parado no esôfago e se dissolve ali, ferindo a parede no ponto de contato. | Quem toma comprimidos com pouca água ou deita logo depois — sobretudo alguns antibióticos, anti-inflamatórios, remédios para osteoporose, suplementos de potássio e de ferro. |
| Infecciosa | Fungos (como a cândida) ou vírus (como o herpes e o citomegalovírus). | Principalmente pessoas com a imunidade baixa, diabetes descompensado, uso de corticoide ou quimioterapia. |
| Eosinofílica | Inflamação alérgica e imunológica crônica, com acúmulo de eosinófilos na parede do esôfago. | Crianças e adultos, mais homens, muitas vezes com asma, rinite, dermatite ou alergia alimentar. |
| Cáustica | Ingestão de produtos de limpeza ácidos ou alcalinos, acidental ou não. | Crianças pequenas e situações de acidente doméstico — é emergência. |
| Actínica (por radiação) | Radioterapia no tórax ou no pescoço, que atinge o esôfago. | Pacientes em tratamento de tumores de pulmão, mama, esôfago ou cabeça e pescoço. |
A esofagite eosinofílica merece um artigo à parte, porque não responde da mesma forma que a esofagite de refluxo e é hoje uma das causas mais comuns de comida entalada em adultos jovens — veja o que é esofagite eosinofílica.
Para evitar a esofagite por comprimido: tomar o remédio sentado ou em pé, com um copo cheio de água, e não deitar nos 30 minutos seguintes. Quem toma um medicamento conhecido por irritar o esôfago deve seguir à risca as orientações da bula e do médico sobre a forma de tomar.
Sintomas da esofagite
Os sintomas da esofagite variam conforme a causa e a intensidade da inflamação, mas quatro queixas aparecem com mais frequência:
- Azia — queimação que sobe por trás do osso do peito, típica da esofagite de refluxo, muitas vezes acompanhada de regurgitação (líquido ácido ou amargo que volta à boca);
- Dor ao engolir (odinofagia) — dor no trajeto do alimento ou do comprimido; é mais marcante nas esofagites medicamentosa e infecciosa;
- Dificuldade para engolir (disfagia) — sensação de que o alimento para ou desce devagar; pode indicar inflamação intensa, estreitamento ou esofagite eosinofílica;
- Dor no peito — dor em aperto ou queimação no centro do tórax, que pode irradiar para as costas.
Outros sintomas da esofagite incluem rouquidão, tosse seca, pigarro, gosto amargo na boca e piora das queixas ao deitar ou ao se curvar. Na esofagite de refluxo, a intensidade dos sintomas nem sempre acompanha a gravidade da lesão: há pessoas com muita azia e esôfago quase normal, e pessoas com poucas queixas e esofagite avançada no exame.
Dor no peito vem antes de tudo do coração: a dor da esofagite pode ser idêntica à do infarto. Dor no peito em aperto, com falta de ar, suor frio, enjoo ou dor que irradia para o braço, a mandíbula ou as costas exige atendimento de emergência imediato. A causa cardíaca precisa ser descartada primeiro; só depois a dor é atribuída ao esôfago.
Esofagite erosiva no laudo: a classificação de Los Angeles
A esofagite erosiva é descrita no laudo da endoscopia pela classificação de Los Angeles, um sistema internacional que gradua a inflamação causada pelo refluxo em quatro letras, de A a D. A classificação mede o tamanho das erosões e o quanto elas se estendem ao redor do esôfago — e é por isso que o laudo diz, por exemplo, “esofagite erosiva grau A de Los Angeles”.
| Grau | O que o endoscopista vê | Em linguagem simples |
|---|---|---|
| A | Uma ou mais erosões de até 5 mm, sem se unir entre as dobras da mucosa. | Feridas pequenas e isoladas. É o grau mais leve e o mais comum. |
| B | Pelo menos uma erosão maior que 5 mm, ainda sem se unir entre as dobras. | Feridas maiores, mas separadas umas das outras. |
| C | Erosões que se unem entre duas ou mais dobras, ocupando menos de 75% da circunferência. | As feridas se juntam, mas ainda não dão a volta no esôfago. |
| D | Erosões unidas que ocupam 75% ou mais da circunferência do esôfago. | Inflamação extensa, que quase dá a volta completa. É o grau mais intenso. |
Na prática, os graus B, C e D são considerados prova de doença do refluxo. O grau A é um achado frequente e, sozinho, nem sempre basta para confirmar o refluxo — quando os sintomas não combinam com o exame, o médico pode complementar a investigação com o exame de refluxo em Maringá (pHmetria ou impedâncio-pHmetria). Nos graus C e D, a diretriz do American College of Gastroenterology recomenda repetir a endoscopia depois de cerca de 8 semanas de tratamento, para confirmar a cicatrização e examinar a mucosa que estava escondida pela inflamação.
Laudos mais antigos podem usar a classificação de Savary-Miller, em graus numéricos. Ela descreve a mesma coisa de outra forma; em caso de dúvida, o próprio endoscopista explica a equivalência.
Como é feito o diagnóstico da esofagite
O diagnóstico da esofagite é feito pela endoscopia digestiva alta, exame em que um tubo fino e flexível, com câmera na ponta, examina o esôfago, o estômago e o duodeno sob sedação. Na endoscopia, o médico vê a inflamação, classifica as erosões, identifica estreitamentos e hérnia de hiato e, sobretudo, colhe biópsias quando o aspecto não é típico de refluxo.
A biópsia é o que separa os tipos de esofagite que se parecem a olho nu. É ela que mostra fungos ou vírus na esofagite infecciosa, o acúmulo de eosinófilos na esofagite eosinofílica e as alterações das células que caracterizam o esôfago de Barrett. Em quem tem dificuldade para engolir, as diretrizes recomendam biópsias do esôfago mesmo quando o exame parece normal, porque a esofagite eosinofílica pode não deixar marcas visíveis.
Quem vai fazer o exame encontra preparo, sedação e laudo explicados no artigo endoscopia: tudo o que você precisa saber. Na clínica do Dr. Eduardo Pereira, a endoscopia digestiva em Maringá é feita com sedação monitorada, e o laudo traz a classificação de Los Angeles e o resultado das biópsias, quando colhidas.
Como tratar a esofagite conforme a causa
Tratar a esofagite significa, antes de tudo, tratar a causa — e o remédio que funciona para um tipo pode ser inútil para outro. Por isso o esquema é sempre definido depois do diagnóstico, nunca por conta própria:
- Esofagite de refluxo: o tratamento se apoia em medicamentos que reduzem a produção de ácido pelo estômago, por um período definido pelo médico e, em parte dos casos, de forma contínua. Mudanças de hábito somam: perder peso quando há sobrepeso, jantar mais cedo, elevar a cabeceira da cama e evitar os alimentos que, para aquela pessoa, desencadeiam sintomas — veja as dicas importantes para controlar o refluxo;
- Esofagite medicamentosa: o médico avalia suspender ou trocar o remédio responsável e corrigir a forma de tomar; protetores da mucosa e redutores de acidez ajudam na cicatrização, que costuma ser rápida;
- Esofagite infecciosa: o tratamento é feito com antifúngico ou antiviral, conforme o agente encontrado na biópsia, e inclui investigar por que a imunidade está baixa;
- Esofagite eosinofílica: combina medicação anti-inflamatória, dieta de eliminação orientada e, quando há estreitamento, dilatação por endoscopia;
- Esofagite cáustica e por radiação: exigem acompanhamento próximo, controle da dor e da alimentação e, com frequência, endoscopias seriadas para tratar estreitamentos.
Na esofagite de refluxo, as erosões costumam cicatrizar com o tratamento, mas o refluxo que as causou é uma condição crônica e pode voltar quando a medicação é suspensa. Quando o refluxo não é controlado clinicamente ou há hérnia de hiato grande, a cirurgia antirrefluxo pode ser discutida em casos selecionados. O plano de tratamentos gastros em Maringá do Dr. Eduardo inclui esse acompanhamento ao longo do tempo, e não apenas a receita inicial.
Complicações da esofagite: estenose e esôfago de Barrett
As complicações da esofagite aparecem, em geral, quando a inflamação dura muito tempo sem tratamento ou quando o grau é intenso. As duas mais importantes são a estenose e o esôfago de Barrett:
- Estenose (estreitamento): a cicatrização repetida das erosões forma um tecido fibroso que reduz o calibre do esôfago. O sintoma típico é a dificuldade para engolir alimentos sólidos, como carne e pão, que piora aos poucos. O tratamento é feito por dilatação durante a endoscopia, junto com o controle da inflamação;
- Esôfago de Barrett: a agressão crônica pelo refluxo faz o revestimento do final do esôfago ser substituído por um tecido parecido com o do intestino, mais resistente ao ácido. O Barrett não dá sintomas próprios e é diagnosticado por endoscopia com biópsia. Ele aumenta o risco de adenocarcinoma do esôfago — um risco baixo em números absolutos, mas que justifica endoscopias de vigilância em intervalos definidos pelo médico;
- Sangramento e úlcera: esofagites intensas podem sangrar, levando a anemia ou, mais raramente, a vômito com sangue.
É por isso que a esofagite grave (graus C e D) é reavaliada depois do tratamento: a inflamação intensa pode esconder um Barrett que só aparece quando a mucosa cicatriza.
Quando procurar o gastroenterologista por sintomas da esofagite
Procurar o gastroenterologista em Maringá por sintomas da esofagite é indicado quando a azia aparece duas ou mais vezes por semana, quando os sintomas voltam sempre que o remédio é suspenso ou quando engolir passou a doer ou a ficar difícil. Alguns sinais pedem avaliação com prioridade:
- Dificuldade para engolir que piora com o tempo, ou alimento que entala;
- Dor intensa ao engolir, inclusive líquidos e saliva;
- Perda de peso sem explicação;
- Vômito com sangue ou fezes pretas, com aspecto de borra de café;
- Anemia sem causa definida;
- Vômitos persistentes;
- Sintomas de refluxo que começam depois dos 50 anos ou que não melhoram com o tratamento.
Emergência, sem esperar consulta: dor no peito com falta de ar ou suor frio, alimento entalado que impede engolir a própria saliva e ingestão de produto de limpeza. Nesses casos, o caminho é o pronto-socorro.
Na consulta, o Dr. Eduardo Pereira avalia os sintomas, decide se a endoscopia é o primeiro passo, interpreta o laudo e define o tratamento conforme a causa — com atendimento particular, Unimed e convênios.
Perguntas frequentes sobre esofagite
Quais os sintomas da esofagite?
Os sintomas da esofagite mais comuns são azia, regurgitação, dor ao engolir, dificuldade para engolir e dor no peito. Rouquidão, tosse seca e piora ao deitar também podem aparecer, sobretudo quando a causa é o refluxo.
Esofagite tem cura?
A esofagite tem tratamento, e na maioria dos casos as lesões cicatrizam. A esofagite medicamentosa e a infecciosa costumam se resolver quando a causa é tratada; já a de refluxo e a eosinofílica são condições crônicas, que podem voltar e pedem acompanhamento.
O que é esofagite erosiva grau A?
A esofagite erosiva grau A é o grau mais leve da classificação de Los Angeles: uma ou mais erosões pequenas, de até 5 mm, no final do esôfago. É um achado comum e, em geral, responde bem ao tratamento do refluxo e aos ajustes de hábito.
Esofagite é grave?
A esofagite, na maioria das vezes, não é grave e responde ao tratamento. Ela merece atenção quando é intensa (graus C e D), quando causa estreitamento ou sangramento e quando o refluxo crônico leva ao esôfago de Barrett, que precisa de vigilância.
Quanto tempo demora para curar a esofagite?
O tempo para cicatrizar a esofagite depende do tipo e do grau. Na esofagite de refluxo, o tratamento inicial costuma durar cerca de 8 semanas; nos graus C e D, a endoscopia é repetida depois desse período para confirmar a cicatrização.
Esofagite causa dor nas costas?
A esofagite pode causar dor que irradia do peito para as costas, entre as escápulas. Como essa dor também pode vir do coração, da aorta ou da vesícula, ela deve ser avaliada por um médico — e com urgência se vier com falta de ar ou suor frio.
Resumo · Esofagite: quais são os sintomas e como tratar
- O que é: inflamação do esôfago; quando forma feridas visíveis na endoscopia, chama-se esofagite erosiva.
- Causas: refluxo (a mais comum), comprimidos parados no esôfago, infecções, alergia (eosinofílica), produtos cáusticos e radiação.
- Sintomas da esofagite: azia, dor ao engolir, dificuldade para engolir e dor no peito — que sempre exige descartar o coração.
- Laudo: a classificação de Los Angeles vai de A (leve) a D (extensa); B, C e D confirmam refluxo.
- Diagnóstico e tratamento: endoscopia com biópsia; o tratamento é escolhido conforme a causa, sem automedicação.
- Complicações e alertas: estenose, Barrett e sangramento; alimento entalado, perda de peso e sangue pedem avaliação rápida.
Os sintomas da esofagite são comuns, mas não devem virar rotina. Azia frequente, dor ou dificuldade para engolir têm causa identificável na endoscopia, e o tratamento certo depende de saber qual é o tipo de esofagite — o que permite cicatrizar a inflamação e evitar as complicações a longo prazo.
Faz parte deEndoscopia Digestiva em Maringá →Exame que diagnostica e classifica a esofagite, com biópsias, sedação monitorada e laudo detalhado do Dr. Eduardo Pereira.Conteúdo informativo, escrito pelo Dr. Eduardo Pereira. Não substitui a consulta médica e não deve ser usado para iniciar, trocar ou interromper medicamentos.
Referências
- Katz PO et al. ACG Clinical Guideline for the Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux Disease. American Journal of Gastroenterology, 2022;117(1):27–56.
- Lundell LR et al. Endoscopic assessment of oesophagitis: clinical and functional correlates and further validation of the Los Angeles classification. Gut, 1999;45(2):172–180.
- Shaheen NJ et al. Diagnosis and Management of Barrett’s Esophagus: An Updated ACG Guideline. American Journal of Gastroenterology, 2022;117(4):559–587.