Dr. Eduardo Pereira — Gastroenterologista e Endoscopia Digestiva em MaringáDr. Eduardo Pereira — Gastroenterologista e Endoscopia Digestiva em Maringá Agendar

Médico de gastroenterologia em Maringá

A consulta que investiga, não a que encaminha.

Quatro páginas de consulta e especialidade — passe o cursor sobre cada uma para ver o que ela cobre.

Ver a especialidade →

Exames com médico gastro em Maringá

Cada exame, pelas mãos de quem fez mais de dez mil.

Oito exames realizados pessoalmente pelo Dr. Eduardo em clínica própria — passe o cursor para ver as indicações de cada um.

Ver todos os exames →

Intestino · Blog do Dr. Eduardo Pereira

Câncer de intestino: o que é, sintomas e prevenção

Publicado em 5 de novembro de 2026 · Leitura de 11 minutos · Por Dr. Eduardo Pereira · Gastroenterologista e Endoscopista · CRM-PR 44.865

O câncer de intestino — ou câncer colorretal — nasce, na maioria das vezes, de um pólipo que cresce devagar no intestino grosso. É o segundo câncer mais frequente em homens e em mulheres no Brasil, vem aumentando abaixo dos 50 anos e tem duas armas bem estabelecidas: reconhecer os sinais de alerta e fazer o rastreamento, que encontra e retira os pólipos antes que virem tumor.

O câncer de intestino é um dos tumores mais comuns no Brasil e, ao mesmo tempo, um dos que mais se pode prevenir. A distância entre essas duas afirmações é feita de informação: saber o que aumenta o risco, quais sintomas não devem ser adiados e a partir de que idade vale fazer exames mesmo sem sentir nada.

Este artigo resume o que o Dr. Eduardo Pereira explica no consultório sobre o câncer de intestino: o que é, os números mais recentes do INCA, os fatores de risco, os sintomas e sinais de alerta, o aumento de casos em adultos jovens, como é feito o diagnóstico, o que significam os estágios, como é o tratamento e o que fazer para prevenir.

O que é o câncer de intestino

O câncer de intestino, chamado pelos médicos de câncer colorretal, é o tumor que se forma no intestino grosso: no cólon, que tem cerca de um metro e meio, ou no reto, o trecho final que se liga ao ânus. Mais de 90% desses tumores são adenocarcinomas, que se originam das células da mucosa — o revestimento interno do intestino.

A característica que define o câncer colorretal é o caminho lento até o tumor. Na grande maioria dos casos, ele começa como um pólipo, uma pequena elevação benigna na mucosa. Alguns tipos de pólipo — os adenomas e as lesões serrilhadas — acumulam alterações ao longo de anos, em geral uma década ou mais, até se transformarem em câncer. É essa janela que torna o câncer de intestino prevenível: um pólipo retirado não vira tumor.

No Brasil, a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2026–2028, prevê cerca de 53,8 mil casos novos de câncer de intestino por ano. Sem contar o câncer de pele não melanoma, ele ocupa o segundo lugar entre os homens, depois da próstata, e o segundo entre as mulheres, depois da mama. As taxas mais altas estão no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, perto de 20 casos por 100 mil habitantes; só na Região Sul, onde fica Maringá, a previsão é de 10,7 mil casos por ano.

Intestino delgado é outra história. Tumores do intestino delgado existem, mas são raros e têm comportamento diferente. Quando se fala em câncer de intestino no dia a dia — e nas campanhas de prevenção — o assunto é o intestino grosso.

Fatores de risco do câncer de intestino

Os fatores de risco do câncer de intestino se dividem em dois grupos: os que a pessoa pode mudar e os que não dependem dela. Ter um ou mais fatores não significa que o câncer vai aparecer; significa que a atenção — e, às vezes, o calendário de exames — precisa ser diferente.

Fatores modificáveisFatores não modificáveis
Excesso de peso e obesidade, sobretudo a gordura abdominalIdade — o risco aumenta a partir dos 45–50 anos
SedentarismoPai, mãe, irmão ou filho com câncer colorretal ou pólipo avançado
Carnes processadas (embutidos, presunto, salsicha, bacon) e excesso de carne vermelhaHistória pessoal de pólipos adenomatosos ou de câncer colorretal
Bebida alcoólica, com risco que cresce conforme a quantidadeDoença inflamatória intestinal de longa data — retocolite ulcerativa e doença de Crohn com acometimento do cólon
TabagismoSíndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar
Dieta pobre em fibras, frutas, verduras e grãos integrais—

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde, classifica as carnes processadas como cancerígenas para o intestino e a carne vermelha como provavelmente cancerígena. Isso não exige cortar a carne do prato; exige moderação e espaço para alimentos ricos em fibra.

O histórico familiar é o fator de risco que mais muda a conduta. Quem tem parente de primeiro grau com câncer de intestino costuma começar os exames antes dos 45 anos, e famílias com muitos casos — sobretudo em idade jovem — merecem avaliação para síndrome hereditária.

Sintomas de câncer de intestino e sinais de alerta

Os sintomas de câncer de intestino costumam aparecer tarde: pólipos e tumores iniciais, na maioria das vezes, não dão sinal nenhum. Quando surgem, os sinais de alerta variam conforme o lugar do tumor e merecem avaliação sempre que persistem por mais de algumas semanas:

A localização muda o quadro. Tumores do lado direito do cólon tendem a sangrar pouco e de forma invisível, e se manifestam mais por anemia e cansaço. Os do lado esquerdo e do reto dão mais sangramento visível, alteração do ritmo intestinal e sensação de evacuação incompleta.

Nenhum desses sintomas é exclusivo do câncer de intestino. Hemorroidas, fissuras, síndrome do intestino irritável e infecções causam queixas parecidas — e são muito mais frequentes. O ponto é não presumir: o artigo sobre sangue nas fezes mostra as causas mais comuns e quando o sangramento é sinal de alerta.

Não espere a idade do rastreamento. Sangramento retal, anemia sem causa, emagrecimento ou mudança do intestino que dura semanas pedem investigação em qualquer idade — inclusive aos 30 ou 40 anos.

Câncer de intestino em jovens: por que os casos aumentam

O câncer de intestino em jovens — adultos com menos de 50 anos — vem aumentando, e os casos ainda são minoria, mas deixaram de ser raridade. Nos Estados Unidos, onde o registro é detalhado, a proporção de diagnósticos em pessoas com menos de 55 anos passou de 11% em 1995 para 20% em 2019, com crescimento de 1% a 2% ao ano nessa faixa. Tendência semelhante tem sido descrita em vários países, inclusive no Brasil.

As causas desse aumento ainda estão sendo estudadas. As hipóteses mais consistentes envolvem obesidade desde cedo, sedentarismo, dieta rica em ultraprocessados e pobre em fibras, consumo de álcool e mudanças na microbiota intestinal. Em uma parte dos jovens, há síndrome hereditária por trás — por isso todo câncer colorretal diagnosticado cedo merece avaliação genética.

O que mais preocupa no câncer de intestino em jovens é o atraso no diagnóstico. Com menos de 50 anos, o sangramento costuma ser atribuído à hemorroida e a mudança do intestino, ao estresse — e a doença tende a ser descoberta em estágio mais avançado. Foi esse cenário que levou a Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) a antecipar, em 2021, o início do rastreamento de 50 para 45 anos.

Diagnóstico e estadiamento do câncer colorretal

O diagnóstico do câncer colorretal é feito pela colonoscopia com biópsia: o exame percorre todo o intestino grosso, mostra a lesão, retira fragmentos para análise e procura outros pólipos ou tumores ao mesmo tempo. Só o exame anatomopatológico da biópsia confirma o câncer. O guia tudo o que você precisa saber sobre a colonoscopia explica o preparo e a sedação.

Confirmado o câncer de intestino, o passo seguinte é o estadiamento — descobrir até onde a doença chegou. Ele combina tomografia de tórax e abdome, ressonância da pelve nos tumores do reto e a dosagem do CEA, um marcador no sangue que ajuda no acompanhamento. A biópsia também passa por testes que mostram se o tumor tem instabilidade de microssatélites, informação que orienta o tratamento e ajuda a identificar a síndrome de Lynch.

Em linguagem simples, os estágios do câncer de intestino são:

EstágioO que significa
0Células malignas restritas à superfície da mucosa; muitas vezes resolvido com a retirada da lesão.
IO tumor entrou nas camadas da parede do intestino, mas não a atravessou nem chegou aos linfonodos.
IIO tumor atravessou a parede ou atingiu estruturas vizinhas, sem linfonodos comprometidos.
IIIHá linfonodos próximos com células do tumor, sem metástase à distância.
IVA doença chegou a outros órgãos, como fígado, pulmão ou peritônio.

O estágio é o principal fator do prognóstico. Nos registros norte-americanos mais recentes, a sobrevida em cinco anos passa de 90% quando o câncer é descoberto ainda localizado no intestino e fica em torno de 74% quando há linfonodos comprometidos; com metástases à distância, cai para algo entre 13% e 18%. Por trás desses números está a mesma mensagem: descobrir cedo muda o desfecho.

Tratamento do câncer de intestino: tem cura?

O tratamento do câncer de intestino depende do estágio, da localização — cólon ou reto — e das características do tumor, e tem chance real de cura, sobretudo quando a doença é descoberta cedo. Não há tratamento único: o plano é montado para cada paciente por uma equipe multidisciplinar.

A equipe costuma reunir cirurgião do aparelho digestivo ou coloproctologista, oncologista clínico, radioterapeuta, patologista, radiologista e o gastroenterologista endoscopista, além de nutricionista e, quando necessário, estomaterapeuta. Uma dúvida frequente é a bolsa de colostomia: nem toda cirurgia termina em bolsa e, quando ela é necessária, muitas vezes é temporária.

Sobre “cura”: cada caso tem um prognóstico próprio, discutido com a equipe que trata. O que os dados mostram é consistente — quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances —, e mesmo na doença avançada há tratamentos que controlam o câncer por longos períodos.

Como prevenir o câncer de intestino

Prevenir o câncer de intestino envolve duas frentes que se somam: hábitos que reduzem o risco e exames que encontram pólipos antes que virem tumor. A primeira frente depende de escolhas do dia a dia:

A segunda frente é o rastreamento. Pelas diretrizes norte-americanas, pessoas de risco médio começam aos 45 anos; quem tem histórico familiar ou outros fatores de risco começa antes. A colonoscopia tem papel central porque, além de detectar, retira os pólipos no mesmo exame — o post colonoscopia na prevenção do câncer de intestino detalha quem deve fazer, quando começar e o que significa encontrar um pólipo.

Quando procurar o gastroenterologista por suspeita de câncer de intestino

Vale procurar o gastroenterologista em Maringá por suspeita de câncer de intestino — ou para preveni-lo — em qualquer destas situações:

Na consulta, o Dr. Eduardo Pereira avalia sintomas e histórico, indica os exames gastros em Maringá adequados — em geral a colonoscopia, que ele mesmo realiza — e, se houver diagnóstico, organiza o encaminhamento para a equipe de tratamento, com atendimento particular, Unimed e convênios.

Perguntas frequentes sobre câncer de intestino

Câncer de intestino tem cura?

O câncer de intestino tem cura em boa parte dos casos, sobretudo quando é descoberto em estágio inicial. O prognóstico depende do estágio e das características do tumor e é discutido individualmente com a equipe que trata.

Quais são os primeiros sintomas de câncer de intestino?

Os primeiros sintomas de câncer de intestino, quando aparecem, costumam ser sangue nas fezes, mudança persistente do hábito intestinal, anemia e cansaço. Na fase inicial, porém, a doença muitas vezes não dá sintomas — por isso o rastreamento é importante.

Câncer de intestino é hereditário?

O câncer de intestino é hereditário em uma minoria dos casos, ligados a síndromes como a de Lynch e a polipose adenomatosa familiar. Ter parente de primeiro grau com a doença aumenta o risco mesmo sem síndrome definida e antecipa o início dos exames.

Câncer de intestino dá em jovem?

O câncer de intestino pode dar em jovem, e os casos abaixo dos 50 anos vêm aumentando. Sangramento retal, anemia ou mudança do intestino persistente devem ser investigados em qualquer idade.

Hemorroida pode virar câncer de intestino?

A hemorroida não vira câncer de intestino. O problema é que as duas condições podem causar sangramento, e atribuir o sangue à hemorroida sem exame pode atrasar o diagnóstico de um tumor.

Qual exame detecta câncer de intestino?

O exame que detecta e confirma o câncer de intestino é a colonoscopia com biópsia. A pesquisa de sangue oculto nas fezes é usada no rastreamento, mas, se der positiva, o passo seguinte é a colonoscopia.

Resumo · Câncer de intestino: o que é, sintomas e prevenção

  • O que é: tumor do cólon ou do reto (câncer colorretal); na maioria das vezes, nasce de um pólipo que cresce ao longo de anos.
  • No Brasil: cerca de 53,8 mil casos novos por ano (INCA, 2026–2028); segundo mais frequente em homens e em mulheres.
  • Fatores de risco: idade, histórico familiar, pólipos, doença inflamatória intestinal e síndromes hereditárias; obesidade, sedentarismo, carnes processadas, álcool e cigarro.
  • Sintomas: sangue nas fezes, mudança do hábito intestinal, anemia, dor abdominal e perda de peso — em qualquer idade, inclusive abaixo dos 50.
  • Diagnóstico e tratamento: colonoscopia com biópsia, estadiamento por imagem; cirurgia, quimio e radioterapia definidas por equipe multidisciplinar.
  • Prevenção: hábitos saudáveis e rastreamento a partir dos 45 anos no risco médio — antes, com histórico familiar.

O câncer de intestino é frequente, mas tem um percurso longo e conhecido — do pólipo ao tumor — que dá tempo para agir. Reconhecer os sinais de alerta sem adiar a consulta e fazer o rastreamento na idade certa são as duas atitudes que mais mudam a história do câncer de intestino.

Faz parte deColonoscopia em Maringá →Colonoscopia com sedação monitorada para investigar sintomas e rastrear o câncer de intestino, com retirada de pólipos e laudo do Dr. Eduardo Pereira.
Siga o Dr. Eduardo no InstagramSaúde digestiva explicada no dia a dia, com o mesmo cuidado da consulta.
@dr.eduardo.gastro
Dr. Eduardo Pereira, gastroenterologista e endoscopista em Maringá
Dr. Eduardo Pereira Gastroenterologista e endoscopista em Maringá · CRM-PR 44.865 · RQE 27361 · 27362 · 27363. Residência pela USP de Ribeirão Preto, fellowship em Endoscopia Digestiva pelo Hospital Sírio-Libanês e mais de 10 mil exames realizados. Conhecer o médico →

Conteúdo informativo, escrito pelo Dr. Eduardo Pereira. Não substitui a consulta médica e não deve ser usado para iniciar, trocar ou interromper medicamentos.

Referências

  1. Martins LFL, Chaves GV, Oliveira JFP et al. (Instituto Nacional de Câncer — INCA). Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026-2028. Revista Brasileira de Cancerologia, 2026;72(2):e-025587.
  2. Siegel RL, Wagle NS, Cercek A, Smith RA, Jemal A. Colorectal cancer statistics, 2023. CA: A Cancer Journal for Clinicians, 2023;73(3):233–254.
  3. Davidson KW, Barry MJ, Mangione CM et al. (US Preventive Services Task Force). Screening for colorectal cancer: US Preventive Services Task Force recommendation statement. JAMA, 2021;325(19):1965–1977.

Leia também

Fale com o gastroenterologista em Maringá

O artigo respondeu. A consulta resolve.

Se você se reconheceu no que leu, o próximo passo é investigar com o Dr. Eduardo Pereira — particular, Unimed e convênios.

Voltar ao blog →
Siga @dr.eduardo.gastroSiga no Instagram

Este site usa cookies de medição (Google Analytics) para entender como as páginas são usadas e melhorar o atendimento. Nenhum dado de saúde é coletado. Você aceita?